22 setembro, 2008



Como podemos explicar ao coração
Que ele precisa ter razão
Como podemos mostrar a alma
Que ela precisa de equilíbrio
Para chegar a perfeição
Coração, alma, razão, perfeição
Quatro pontos tão distintos
Que se tocam, que se esbarram
Para nos fazer crescer
Quatro pontos às vezes tão distantes
Que tenho medo de me perder
Quatro pontos, elementos de vitória
Quatro pontos que resumem minha vida
Que traço na memória.

Eärwen Tulcakelumë

Assim como a natureza passa por ciclos, nós como parte da natureza ,em seu aspecto material e espiritual, estamos ligados a eles...
A observação desses ciclos é essencial para o nosso crescimento, e ainda dentro desse mesmo ciclo já estar se preparando para o próximo, com a certeza de que os ciclos não são a nossa essência e sim algo que transita em nossa natureza.
Não cabe a ninguém julgar-se e nem culpar-se, mas apenas estar atento às novas lições que nos são mostradas nesses ciclos.
Porque tudo nessa vida é aprendizado e tudo necessita de equilíbrio.

31 agosto, 2008

A sabedoria do silêncio

Rubem Alves



Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as
Flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".
Filosofia é um monte de idéias dentro da cabeça sobre como são as coisas.
Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro:"Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é
Dito é preciso também que haja silêncio dentro da alma".
Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar
Um palpite melhor sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a
dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração.
E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa
arrogância e vaidade: no fundo somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo Jovelino que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela evolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes ninguém fala. Há um longo longo silêncio. (Os Pianistas antes de iniciar o concerto diante do piano ficam assentados em silêncio[...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.).Todos em silêncio à espera do pensamento essencial. Aí de repente alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um Grande desrespeito pois o outro falou os seus pensamentos pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir são duas as possibilidades.

Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade não ouvi o que
você falou. Enquanto você falavaeu pensava nas coisas que iria falar
Quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".

Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já
Pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".
Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma Bofetada.
O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo
Que você falou". E assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de for a. É preciso silêncio dentro. Ausência de Pensamentos.
E aí quando se faz o silêncio dentro a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência e se referia a algo que se ouve nos
interstícios das palavras no lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do
mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Aí livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia ouvimos a melodia que não havia que de tão Linda nos faz chorar.

Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância e saber ouvir OS outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

30 agosto, 2008

Classe Média - Max Gonzaga

Clipe de animação feito para a música de Max Gonzaga - Classe Média

Bob Dylan - Ain´t Talkin´

A música a seguir conta a trajetória de uma pessoa estranha ao seu mundo. Alguem que se cansou de todo que está a sua volta e se deu ao direto de apenas caminhar. Refletindo sobre as coisas que estão a sua volta.



Letra da música - Ain´t Talkin´

As I walked out tonight in the mystic garden
The wounded flowers were dangling from the vine
I was passing by yon cool crystal fountain
Someone hit me from behind

Ain't talkin', just walkin'
Through this weary world of woe
Heart burnin', still yearnin'
No one on earth would ever know

They say prayer has the power to heal
So pray from the mother
In the human heart an evil spirit can dwell
I am a-tryin' to love my neighbor and do good unto others
But oh, mother, things ain't going well

Ain't talkin', just walkin'
I'll burn that bridge before you can cross
Heart burnin', still yearnin'
There'll be no mercy for you once you've lost

Now I'm all worn down by weeping
My eyes are filled with tears, my lips are dry
If I catch my opponents ever sleeping
I'll just slaughter 'em where they lie

Ain't talkin', just walkin'
Through the world mysterious and vague
Heart burnin', still yearnin'
Walkin' through the cities of the plague.

Well, the whole world is filled with speculation
The whole wide world which people say is round
They will tear your mind away from contemplation
They will jump on your misfortune when you're down

Ain't talkin', just walkin'
Eatin' hog eyed grease in a hog eyed town.
Heart burnin', still yearnin'
Some day you'll be glad to have me around.

They will crush you with wealth and power
Every waking moment you could crack
I'll make the most of one last extra hour
I'll revenge my father's death then I'll step back

Ain't talkin', just walkin'
Hand me down my walkin' cane.
Heart burnin', still yearnin'
Got to get you out of my miserable brain.

All my loyal and my much-loved companions
They approve of me and share my code
I practice a faith that's been long abandoned
Ain't no altars on this long and lonesome road

Ain't talkin', just walkin'
My mule is sick, my horse is blind.
Heart burnin', still yearnin'
Thinkin' 'bout that gal I left behind.

Well, it's bright in the heavens and the wheels are flyin'
Fame and honor never seem to fade
The fire gone out but the light is never dyin'
Who says I can't get heavenly aid?

Ain't talkin', just walkin'
Carryin' a dead man's shield
Heart burnin', still yearnin'
Walkin' with a toothache in my heel

The sufferin' is unending
Every nook and cranny has its tears
I'm not playing, I'm not pretending
I'm not nursin' any superfluous fears

Ain't talkin', just walkin'
Walkin' ever since the other night.
Heart burnin', still yearnin'
Walkin' 'til I'm clean out of sight.

As I walked out in the mystic garden
On a hot summer day, a hot summer lawn
Excuse me, ma'am, I beg your pardon
There's no one here, the gardener is gone

Ain't talkin', just walkin'
Up the road, around the bend.
Heart burnin', still yearnin'
In the last outback at the world's end.

Uma idéia Fixa

E como naturalmente so que prezam um certa virtude têm o maior desprezo pelo efeito contrário, não havia gente que o "culto" odiasse tanto quanto as pessoas simples, de inteligência parca e espírito pouco complicado. Isso chegava ao ponto dele ter desejado mudar totalmente a organização da justiça, para que, ao se descobrir alguma ladroagem grave, enforcar-se não o ladrão, mas o roubado. Era uma idéia; era a sua idéia. Achava que essa era a única maneira de apressar a emancipação intelectual do povo, e fazer com que os homens do século alcançassem o progresso supremo no espírito, na habilidade e na invenção, qualidades que ele afirmava serem a verdadeira coroa da humanidade e a perfeição mais agradável a Deus.

Isso, quanto à moral. Quanto a política, estava convencido de que o roubo organizado em grande escala favorecia mais que tudo a divisão das grandes fortunas e a circulação das menores, do que só podem resultar, para as classes inferiores, o bem-estar e a libertação.

---
Trecho do texto de Gérard de Neval, entitulado "A mão encantada".

Esse trecho pode se juntar a outros textos épicos que tocam o campo do conhecimento e sua propagação. Onde vemos sempre a pessoa detentora de conhecimentos se afastar dos seres humanos que não possuem conhecimentos parecidos com o dele. Se isolando das relações sociais do cotidiano com a justificativa de não ser possível manter relações sociais com pessoas tão diferentes. Não isolando a si mesmo, mas também isolando o seu conhecimento e afastando a possibilidade de mudança social para um campo distante - não que o essa pessoa teria esse poder, mas seus conhecimentos podem servir de instrumentos. Meios que fariam as pessoas pensarem mais em saidas para suas situações do cotidiano!

22 agosto, 2008

The Sociological Imagination and the Promise of Sociology

No texto a seguir é de autoria de Wright Mills e desenvolve rapidamente a idéia sobre imaginação sociológica e o objeto de estudo da sociologia. Com o breve texto entitulado “The Sociological Imagination and the Promise of Sociology” o autor trabalha o que deve ser estudado como objeto sociológico e como isso deve ser feito, justificando os porques. Esse texto faz parte do livro “Human Societies” organizado por Anthony Giddens e publicado em 1992. Apesar de não ser tão atual, o texto traz claras questões que ainda não parecem ter sido vencidas por alguns pesquisadores sociais.


C. Wright Mills
The Sociological Imagination and the Promise of Sociology


The sociological imagination enables its possessor to understand the larger historical scene in terms of its meaning for the inner life and the external career of variety of individuals. It enables [the sociologist] to take into account how individuals, in the welter of daily experience, often become falsely conscious of their social positions. Within that welter, the framework of modern society is sought, and within that framework the psychologies of variety of men and women are formulated. By such means the personal uneasiness of transformed into involvement with public issues.

The first fruit of this imagination – and the first lesson of the social science that embodies it – is the idea that the individual can understand his own experience and gauge his own fate only by locating himself within his period, that he can know his own chances in life only by becoming aware of those of all individuals in his circumstances. In many ways it is a terrible lesson; in many ways a magnificent one. We do not know the limits of man´s capacities for supreme effort or willing degradation, for agony or glee, for pleasurable brutality or the sweetness of reason. But in out time we have come to know that the limits of “human nature” are frighteningly broad. We have come to know that every individual lives, from one generation to the next, in some society; that he lives out a biography, and that he lives it out within some historical sequence. By the fact of his living he contributes, however minutely, to the shaping of this society and to the course of its history, even as he is made by society and by its historical push and shove.

The sociological imagination enables us to grasp history and biography and the relations between the two within society. That is its task and its promise…

No social study that does not come back to the problems of biography , of history and of their intersections within a society has completed its intellectual journey. Whatever the specific problems of the classic social analysts, however limited or however broad the features of social reality they have examined, those who have been imaginatively aware of the promise of their work have consistently asked three sorts of questions:

1 What is the structure of this particular society as a whole? What are its essential components, and how are they related to one another? How does it differ from other varieties of social order? Within it, what is the meaning of any particular feature for its continuance and for its changes?

2 Where does this society stand in human history? What are the mechanics by which it is changing? What is its place within and its meaning for the development of humanity as a whole? How does any particular feature we are examining affect, and how is it affected by, the historical period in which it moves? And this period – what are its essential features? How does it differ from other periods? What are its characteristic ways of history-making?

3 What varieties of men and women now prevail in this society and in this period? And what varieties are coming to prevail? In what ways are they selected and formed, liberated and repressed, made sensitive and blunted? What kinds of “human nature” are revealed in the conduct and character we observe in this society in this period? And what is the meaning for “human nature” of each and every feature of the society we are examining?

Whether the point of interest is a great power state or minor literary mood, a family, a prison, a creed – these are the kinds of questions the best social analysts have asked. They are the intellectual pivots of classic studies of man in society – and they are the questions inevitably raised by any mind possessing the sociological imagination. For that imagination is the capacity to shift from one perspective to another – from the political to the psychological; from examination of a single family to comparative assessment of the national budgets of the world; from the theological school to the military establishment; from considerations of an oil industry to studies of contemporary poetry. It is the capacity to range from the most impersonal and remote transformations to the most intimate features of the human self – and to see the relations between the two. Back of its use there is always the urge to know the social and historical meaning of the individual in the society and in the period in which he has his quality and his being …

Perhaps the most fruitful distinction with which the sociological imagination works is between “the personal troubles of milieu” and “the public issues of social structure”. This distinction is an essential tool of the sociological imagination and a feature of all classic work in social science…

In these terms, consider unemployment. When, in a city of 100,000, only one man is unemployed, that is his personal trouble, and for its relief we properly look to the character of the man, his skills and his immediate opportunities. But when, in a nation of 50 million employees, 15 million men are unemployed, that is a issue, and we may not hope to find its solution within the range of opportunities open to any one individual. The very structure of opportunities has collapsed. Both the correct statement of the problem and the range of possible solutions require us to consider the economic and political institutions of the society, and not merely the personal situation and character of a scatter of individuals.

Consider war. The personal problem of war, when it occurs, may be how to survive it or how to die in it with honour; how to make money out of it; how to climb into the higher safety of the military apparatus; or how to contribute to the war´s termination. In short, according to one´s values, to find a set of milieux and within it to survive the war or make one´s death in it meaningful. But the structural issues of war have to do with its causes; with what types of men it throws up into command; with its effects upon economic and political, family and religious institutions, with the unorganized irresponsibility of a world of nation states.

Consider marriage. Inside a marriage a man and a woman may experience personal troubles, but when the divorce rate during the first four years of marriage is 250 out of every 1,000 attempts, this is an indication of a structural issue having to do with the institutions of marriage and the family and other institutions that bear upon them.

Or consider the metropolis – the horrible, beautiful, ugly, magnificent sprawl of the great city. For many upper-class people, the personal solution to “the problem of the city” is to have an apartment with private garage under it in the heart of the city, and forty miles out, a house by Henry Hill, garden by Garret Ecko, on a hundred acres of private land. In these two controlled environments – with a small staff at each end and a private helicopter connection – most people could solve many of the problems of personal milieux caused by the facts of the city. But all this, however splendid, does not solve the public issues that the structural fact of the city poses. What should be done with this wonderful monstrosity? Break it all into scattered units, combining residence and work? Refurbish it as it stands? Or, after evacuation, dynamite it and build new cities according to new plans in new places? What should those plans be? And who is to decide and to accomplish whatever choice is made? These are structure issues; to confront them and to solve them requires us to consider political and economic issues that affect innumerable milieux.

Is so far as an economy is so arranged that slumps occur, the problem of unemployment becomes incapable of personal solutions. In so far as war is inherent in the nation-state system and in the uneven industrialization of the world, the ordinary individual in his restricted milieu will be powerless – with or without psychiatric aid – to solve the troubles this system or lack of system imposes upon him. In so far as the family as an institution turns women into darling little slaves and men into their chief provides and unweaned dependants, the problem of a satisfactory marriage remains incapable of purely private solution. In so far as the overdeveloped megalopolis and the overdeveloped automobile are built-in features of the overdeveloped society, the issues of urban living will not be solved by personal ingenuity and private wealth.

What we experience in various and specific milieux, I have noted, is often caused by structural changes. Accordingly, to understand the changes of many personal milieux we are required to look beyond them. And the number and variety of such structural changes increase as the institutions within which we live become more embracing and more intricately connected with one another. To be aware of the idea of social structure and to use it with sensibility is to be capable of tracing such linkages among a great variety of milieux. To be able to do that is to possess the sociological imagination.

Cem anos de solidão

Após me deleitar com o livro do fabuloso escritor colombiano, muitas de suas palavras ficaram na minha cabeça. Como a latejar em extremos acessos de enxaqueca.
São palavras, frases, máximas, que dizem respeito sobre a vida e nosso modo de viver o cotidiano.
Para Gabriel Garcia Marquez em “Cem anos de solidão”, o tempo deixa de ser linear. Ou seja, deixa de ser da forma que o vivemos. Onde momentos ficam no passado. Pelo contrário, a vida em Macondo - cidade em que se passa o romance - o tempo é circular. Isto é, vai e volta. Os acontecimentos do presente não são mais que manifestações cíclicas, que já tiveram seu momento no passado e terão alguma influencia no futuro próximo. Seja ele de uma década, seja ele de cem anos.

Garcia Marquez elege uma família em Macondo - os Buendia. E através dessa família o autor ilustra a trajetória da cidade, que está intimamente ligada a própria trajetória dos Buendia. Com personagens de características semelhantes o autor utiliza-se dos nomes e dos acontecimentos para demonstrar a forma ciclica que a vida toma. São nomes como Aurelianos, José Arcadios, Remédios, Úrsulas, entre outros, que vão e vem se repetindo através de gerações, passando e se transformando em acontecimentos notórios que vão se repetindo, ou apenas se completando, idealizando a perspectiva ciclica da vida que passa o autor. Morte e vida se revezam em um misto aprendizagem e troca de conhecimentos.

Além de toda a soma de conhecimentos depositados pelo autor em "Cem anos de solidão", o leitor também poderá agregar conhecimento se possuir ferramentas para isso. Algo que deixa a leitura muito mais interessante!
No caso específico, algo de grande contribuição para a leitura, já que o foco do autor é na idéia de uma da vida cíclica e não linear, é voltar a atenção para a analise da contagem do tempo.
Na perspectiva adotada hoje, a vida se mostra linear ao nossos olhos. Nascemos e morremos. Tudo passa e nada se repete. Entretanto, outras civilizações adotavam outra forma de calcular o tempo, uma maneira cíclica, baseada na transformação da natureza e nos ciclos naturais. Com esse ponto de vista ganhamos mais que perdemos. Não mais participamos de momentos que não voltarão mais. Pelo contrário, participamos de um ciclo, com constantes indas e vindas.

Entre as civilizações que utilizavam esse forma de contagem do tempo está a civilização Maia. Uma das maiores aglomerações populacionais antes da chegada dos europeus na América. A civilização Maia vivia no Sul do México e foi totalmente exterminada pelo espanhol Raúl Cortez e seus discípulos quando esses encontraram os Maias. Apesar do extermínio, algo muito interessante ficou do legado Maia, são suas noções de astronomia e a forma que calculavam seus ciclos. Existe um vídeo muito bom na internet e seria interessante dos nós assistirmos, não apenas quem leu Gabriel Garcia Marquez, mas a todos que pensam em outras formas conhecimentos, pela intensidade e pelas possibilidades que abrem a perspectiva de pensamento Maia. Vou postar apenas primeira parte do vídeo aqui (são 6) e quem se interessar procure mais no youtube.com. Vale lembrar que esse vídeo foi feito pelo canal History Channel, o que significa um pouco de expetacularização, de qualquer forma, acho que vale a pena dar uma olhada.





Para finalizar, vão aí algumas frase de Gabriel Garcia Marquez em "Cem anos de solidão", que expressam outra luta do autor no romance - tirar as teias de aranha dos livros e do saber criado.
Para o autor, era uma perda tempo produzir para ninguém. A produção, seja ela qual for, deve ser distribuida, utilizada e aprendida. Aí vão algumas passagens encontradas nos "Cem anos de Solidão":

"A sabedoria não valia a pena se não fosse possível se servir dela para inventar uma nova maneira de preparar o feijão"

"O mundo terá acabado de se foder - disse então, no dia em que os homens viajarem de primeira classe e a literatura no vagão de carga"

"O que mais me aborrece - ria - é o tempo que perdemos"

"Merda, costumava rir, Quem havia de pensar que nós iríamos realmente acabar vivendo como antropófagos!"

É isso aí gente.
Tenham ótimos mosmentos com
“Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marquez”

13 agosto, 2008

Dois lados da moeda

Com enormes possibilidades de atuação, a fala tem tanto o poder de concertar, quanto o de estragar as relações socias. Esse poder de atuação da fala vai se tornando notório com o passar de nossos anos. Da mesma forma que aprendemos que, com o passar dos anos, existem formas de ofender, aprendemos também que existem forma de agradar. Não por que essas formas de se expressar sejam naturalmente boas ou más, mas porque o padrão de comportamento social nos força a acreditar que, quando falamos obrigado à alguém, isso significa agradecimento por um ato, algo que foi "forçado" por alguém (também podemos dizer que foi forçado pela sociedade) e que não, necessariamente, tinha a obrigação de acontecer. De qualquer forma, a maneira que nos expressamos tem conecção direta com a forma dos atos que vem à nós.

Falo "obrigado" e escuto "de nada".
Falo "desculpa" e escuto "não foi nada".
Mando "ir para o inferno" e sou mandado "também para o inferno".

A maioria das coisas que falamos cotidianamente é amplamente compreendida pelo resto das pessoas que interagimos. Quanto mais conecção as pessoas tem, mais entendimento existe entre elas. Assim, menos explicações são necessárias e menos palavras são usadas. Com o tempo, a fala pode acabar sendo substituida pela linguagem corporal, que não deixa de ser um tipo de fala, mas sem a voz e sim, com o corpo.
Mas antes de atingir tamanho estatus de interação, os seres humanos precisam se entender verbalmente, usando a voz e o corpo.

O interessante de tudo isso é que o comportamento (fala e atuação corporal), apesar de ser conhecido, nunca é compreendido em sua totalidade. Porque por mais que entendamos o significado de um determinado comportamento, aliado ao significado das palavras, nunca sabemos o que se passa dentro da cabeça da outra pessoa. Isso quer dizer que, algumas vezes, mesmo conhecendo a fundo um outro alguém, as reações dessa pessoa podem nos surpreender de mil formas.

Apesar das surpresas e da falta de entendimento para certas coisas, sempre temos que agir com serenidade e cautela. Sendo "extravagante" ou "normal", os comportamentos dos outros não podem surpreender nossas atitudes, tem que apenas somar.
Como diz Mario Quintana: "O que eles chamam de nossos defeitos é o que nós temos de diferentes deles". E essa diferença, quando posta lado-a-lado vem como incongruencia, disemelhança e aprendizado. É observando o comportamento dos outros que analisamos os nossos comportamentos. É por isso que os pesquisadores sociais enfatisam o distanciamento do objeto de estudo como um dos fatores de elucidação sobre o próprio objeto. É observando o comportamento de fora de sua perspectiva que conseguimos entender o significado que ele tem socialmente, ou pessoalmente (cada um pode ter uma analise diferente sobre o mesmo objeto). Em outras palavras, quando confrontamos nossos comportamentos com opiniões e atitudes de outros é que observamos as lacunas que deixamos quando planejamos algo na nossa cabeça e ela não funciona da mesma forma que desejamos na prática.

Por outro lado, talvez esse tipo de analise não seja interessante. E só reflita a postura utópica que algumas pessoas assumem quando desejam de alguma forma um melhor entendimento entre os seres vivos no mundo. Seja animal ou vegetal, sofremos influencia mutua e da mesma forma que ameaçamos algo, também somos ameaçados.

"...o indivíduo é um efeito do poder e simultaneamente, ou pelo próprio fato de ser efeito, é seu centro de transmissão. O poder passa através do indivíduo que ele constituiu." Michel Foucault

"Nossos atos prendem-se a nós como a luz ao fósforo: Fazem o nosso esplendor, é verdade, mas tão somente à custa e nosso desgaste." André Gide

06 agosto, 2008



"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda"

Paulo Freire

Proposta de reforma da lingua portuguesa

Esta é uma PROPOSTA de reforma ortográfica da Língua Portuguesa, visando principalmente a abolição de múltiplas grafias para um mesmo fonema.


São constantes as reclamações por parte de estudantes e da população em geral sobre as dificuldades ortográficas e gramaticais do português. Ao longo de nossa história, passamos por várias reformas visando amenizar estes problemas, mas parece que está na hora de outra reforma.

A última reforma ortográfica entrou em vigor em 1971, eliminando vários acentos circunflexos de palavras como empresa, este, porto, etc. Também tivemos reformas em 1945 e no início da era republicana. Em 1990, assinou-se o acordo de "unificação" da Língua Portuguesa, agendado para entrar em vigor no Brasil em 2011. Este acordo tem a pretensão ridícula de transformar o português numa língua de relações internacionais, apenas com a retirada de alguns acentos, inclusão do K, W e Y, mudança de regras de hífen, entre outras alterações minúsculas, que, praticamente, nada trarão de benéfico.

Este artigo mostra os detalhes de uma proposta de reforma radical, desenvolvida para acabar com os problemas da língua portuguesa e seguir o exemplo dos espanhóis. Esta proposta altera principalmente o tocante a ortografia, em vez da gramática.

É proposta a abolição dos dígrafos XC, SC, CH e SS, além do cedilha e do trema, entre inúmeras outras mudanças.

MUDANÇAS DE ORTOGRAFIA

Os dígrafos XC e SC, o encontro consonantal SS, o Ç, o X com som de S, e o C com som de S seriam todos substituídos pela letra S:

exceção -> esesão
grosso -> groso
inspeção -> inspesão
parecer -> pareser
texto -> testo
fascismo -> fasismo

O dígrafo GU seria substituído por G:

guerra -> gerra
guitarra -> gitarra
preguiça -> pregisa

Nos casos onde o encontro GU é pronunciado, permanece o GU, mas abole-se o trema, se houver:

lingüiça -> linguisa
água -> água

Nos casos onde o encontro QU é pronunciado, permanece o QU, mas abole-se o trema, se houver:

eqüino -> equino
qüinqüagésimo -> quinquajézimo

O G com som de J seria substituído por J:

gemer -> jemer
girar -> jirar
agiota -> ajiota

O X com som de CS seria substituído por CS:

crucifixo -> crusificso
perplexo -> perplecso

O S com som de Z e o X com som de Z seriam substituídos por Z:

Brasil -> Brazil
pausa -> pauza
princesa -> prinseza
exímio -> ezímio
exatamente -> ezatamente
prisão -> prizão

O dígrafo CH seria substituído por X:

chato -> xato
cachorro -> caxorro
cachaça -> caxasa

A letra H inicial seria abolida de todas as palavras:

haste -> aste
homem -> omem
hélice -> élise
hora -> ora
homossexual -> omosecsual

MUDANÇAS DE ACENTUAÇÃO

O acento agudo nas palavras monossílabas seria abolido:

já -> ja
pá -> pa
pés -> pes
dó -> do

Para palavras como assembléia e vêem, adotariam-se as regras definidas no acordo de 1990 (aquele que entra em vigor em 2011):

assembléia -> assembleia
européia -> europeia
vêem -> veem
têem -> teem

MUDANÇA NO ALFABETO

O alfabeto passaria a incluir as letras K, W e Y, tendo 26 letras ao todo.


É óbvio que tantas mudanças na ortografia podem soar estranhas à primeira vista mas, com tempo e paciência, tudo se resolveria.

Argumentos a favor desta reforma:

- Maior simplificação da escrita e aproximação da fonética.
- Maior facilidade de aprendizado por parte de crianças e estrangeiros.
- A língua continuará sendo compatível com o padrão de codificação ISO-8859-1.
- Modernização da escrita.

Argumentos contra esta reforma, com suas refutações:

- Será muito difícil a adaptação por parte da população.
REFUTAÇÃO: Eventuais dificuldades de adaptação serão muito menores do que os benefícios que a reforma trará a longo prazo.

- O custo da atualização de dicionários e livros escolares é proibitivo.
REFUTAÇÃO: Custos com atualizações ocorrem com toda e qualquer reforma ortográfica, por menor que seja. Vale mais a pena uma reforma radical que traga benefícios reais, do que reformas ridículas que mudam um acento ali e outro acento lá, como aquela que entrará em vigor em 2011.

- A reforma criará um dialeto "brasileiro" da Língua Portuguesa, dificultando mais ainda sua projeção internacional e fazendo o português se assemelhar com línguas como o croata e o bósnio.
REFUTAÇÃO: A ortografia de uma língua é um fator irrelevante em sua projeção internacional. O inglês possui uma ortografia completamente confusa e dois dialetos muito distintos (americano e britânico) mas, mesmo assim, é a atual língua internacional diplomática, comercial e científica. Projeção internacional não se consegue com reformas ortográficas.

- A reforma criará uma grande quantidade de palavras homógrafas (mesma grafia com significado distinto).
REFUTAÇÃO: Isso não é muito relevante. Na maioria dos casos, pode-se facilmente diferenciá-las pelo contexto.

- A reforma é indiferente à etimologia de muitas palavras.
REFUTAÇÃO: Não há qualquer necessidade de se continuar escrevendo as palavras como eram escritas pelos gregos ou latinos há milhares de anos atrás. Isso é um atraso.


Mais informações sobre a reforma ortográfica ver sítios:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u321373.shtml - Sítio da Folha de S. Paulo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ortografia_da_l%C3%ADngua_portuguesa - Wikipédia - história da lingua portuguesa
http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/ - Manifesto contrário a reforma da lingua portuguesa
http://emdefesadalinguaportuguesa.blogspot.com/ - Blog contrário a reforma de lingua portuguesa
http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/fd1ead77c203a4dc3dfd94.html - Sitio portugues que se refere a reforma da lingua
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL472396-5604,00.html - Explicação multimídia sobre a mudança da lingua portuguesa
http://educacao-ja.org.br/content/view/97/1/ - Artigo do sítio Educação.org
http://www.frihost.com/forums/vt-81173.html - Forum de discussão sobre as mudanças na lingua portuguesa
http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=5666 - Considerações contrárias a mudança da lingua portuguesa
http://www.ydoo.com.br/vilela/content/view/85/47/ - Prof. Plínio Vilela explica as mudanças práticas na lingua portuguesa

08 julho, 2008


Sempre que penso uma coisa, traio-a.
Só tendo-a diante de mim devo pensar nela,
Não pensando, mas vendo,
Não com o pensamento, mas com os olhos.
Uma coisa que é visível existe para se ver,
E o que existe para os olhos não tem que existir para o
pensamento;
Só existo diretamente para o pensamento e não para os olhos.

Olho, e as coisas existem.
Penso e existo só eu.

Poemas Inconjuntos
Alberto Caeiro

A mente humana é como um projetor, ela projeta significados e sentimentos e se recusa a encarar fatos e situações como realmente são, prefere fugir deles em alguma ficção boa ou má, que projeta sobre a realidade dos fatos.
Penso que para Fernando Pessoa, o correto seria nos livrarmos da enxurrada de sentimentos não saudavéis e rótulos de significação que entulham nossos pensamentos devido aos hábitos e vivências, que por sua vez modelam nossa mente em uma forma -fictícia- enquanto que a sua forma real, sua verdadeira natureza, permanece encoberta por toda a vida, tornando-nos reagentes.
Uma mente que unicamente reage é uma mente mecanizada, que nos impede de agir de acordo conosco mesmo. Uma mente reativa é controlada pelos estímulos exteriores, estímulos esses que envolvem modo de sentir, de se comportar, ou mesmo de entender o que se encontra a nossa frente.
A mente que não tem objetividade reage e a consequência desse automatismo é que ele impede a visão e coloca-nos sob o encanto do "pré-conceito"
O real é a natureza de cada um e o que se percebe e sente através dela...
Olhar as "coisas" sem os olhos do pré-conceito e livre de todos os possiveis julgamentos que nos acompanham durante a vida...conforme vamos recebendo e assimilando informações...
Talvez olhar com os olhos da naturalidade...pois quando olhamos com o pensamento as "coisas" deixam de ser elas por si só e tornam-se o que nós cremos que são...

22 junho, 2008



"O medo do perigo é mil vezes pior do que o perigo real"
Daniel Defoe

07 junho, 2008

A linguagem e seu campo

Por detrás do simbolismos das palavras estão as verdadeiras razões delas serem expressas. O grande problema que encontramos na comunicação é justamente o entendimento sobre as verdadeiras razões das palavras. Isso porque quando tratamos sobre as razões de nossas palavras, não estamos tratando de algo comum a todas as pessoas, por mais que as palavras sejam comuns, estamos falando de alguma coisa que se criou no campo particular, que diz respeito apenas a idéia própria do indivíduo que a pronunciou. As razões das palavras se constróem no amago de nossa mente, nos fins e nos confins de nossos pensamentos. E que além de conter o significado geral da palavra, somam também a nossa história, o que aprendemos com ela, e o nosso momento, todas as forças que nos influenciam no agora.
O que faz a expressão na comunicação não ser algo direto, sensato e claro, é justamente a particularidade que envolve todos os intantes da comunicação. Eu digo amor e essa palavra me recorda momentos que significam amor. Porém esses momentos não são os memos para todas as pessoas, dando ao amor um significado amplo e geral, indefinivel. As palavras se tornam algo nebuloso, espectral e único. Nebuloso por não ter uma identidade clara, não possuindo definição precisa. Espectral porque se faz ser vista e inteligivel, porém não o é da mesma forma que o idealizador a criou. E única porque o criador, apenas o criador, tem o domínio claro do que quis dizer.
Corrigir essas imperfeições é preciso e possível para vivermos em harmonia social. Não podemos nos contentar com nossas definições, nossas maneiras e nossos mundos. Isso porque não é apenas o nosso mundo que existe. Somos fruto de infinidade de confluencias. Não podemos simplesmente abandonar esse fato e dar como importante apenas o nosso tipo de pensamento. Somos muitos.

Rever, assumir, rever, assumir, rever, assumir.
Culpa de alguma coisa
Vontade em pensamento
Explosão de sentimento

Clarividência nas ações
Propriedade no julgamento
Como juiz ou acusado
Vamos vivendo assoitados

São memórias, são lembranças
Que carregamos como herança
Como um cargueiro sem porto
Até o dia do naufrágio

Convencendo, convencendo
O que já convencido
Endurecendo, endurecendo
O que já duro está

06 junho, 2008



"Aquele que deseja fazer o bem ao próximo, deve fazê-lo a partir das pequenas coisas. O bem geral é a desculpa dos hipócritas, salafrários e aduladores". William Blake

05 junho, 2008

Pouco adiantou acender cigarros... falar palavrão...peder a razão, eu quis ser eu mesma, eu quis ser alguem, mas sou como os outros... que apenas fazem parte de um todo...acho que sou eu mesma quando falo tudo o que penso realmente, quando sou sincera comigo e mostro a todo mundo que eu não sei quem sou...e que ainda busco dentro de mim em conjunto com as pessoas que convivo essa resposta...e continuo usando as palavras de quem nada sabe. As coisas que aprendi nenhum troféu como lembrança pra casa eu levei, mas as coisas que tive oportunidade e ainda não aprendi essas nunca esqueci porque acumulam-se na minha infinita vontade do "conhecer, perceber e absorver".

texto original:
Perdendo Dentes - Pato Fu

03 junho, 2008


...do livro A EDUCAÇÃO E O SIGNIFICADO DA VIDA por Krishnamurti...

"Para instituirmos a educação correta, é indispensável compreender o significado da vida como um todo, e, para tal, devemos ser capazes de pensar, não rigidamente, mas de maneira direta e verdadeira. Um pensador inflexivel não tem pensar próprio, porque se ajusta a um padrão; repete frases e pensa dentro de uma rotina. Não se pode compreender a existência da forma abstrata ou teórica. Compreender a vida é compreender a nós mesmos; este é o fim da educação.
A função da educação é criar entes humanos integrados, e, por conseguinte, inteligentes. ...A inteligência não é mera cultura intelectual; não provêm dos livros, nem consiste em jeitosas reações defensivas e asserções arrogantes. O homem que não estudou pode ser mais inteligente do que o erudito. Fizemos de exames e diplomas critério de inteligência e desenvolvemos espíritos muito sagazes, que evitam os problemas humanos vitais. Inteligência é a capacidade de perceber o essencial, o que é; despertar essa capacidade, em si próprio e nos outros, eis em que se resume a educação.
A educação deve ajudar-nos a descobrir valores perenes..."

e finaliza o pensamento com o seguinte paragrafo:

" Os sistemas, quer educativos, quer políticos, não se transformam miraculosamente; só se modificam quando há em nós uma transformação fundamental. O indivíduo é de primordial importância, e não o sistema; e enquanto o indivíduo não compreender o processo total de si mesmo, nenhum sistema, seja da direita, seja da esquerda, trará ordem e paz ao mundo."

02 junho, 2008

Hemingway e as inspirações do cotidiano



Hemingway não é um autor admirado por um fato qualquer.
Sua habilidade na escrita é realmente invejável, ninguém consegue como Hermingway escrever tanto com tão poucas palavras e folhas. O autor segue uma linha simples, porém profunda quando trata das relações humanas. A complexidade com que atingue os posicionamentos pessoais e suas influências sobre o ambiente social demonstram que Hemingway deveria ser um autor mais presente no dia-a-dia de cada um de nós.
Aqui vou transcrever dois contos de Hemingway, presentes na coletânia Contos - volume 3. São dois contos simples, o primeiro tratando da vida em família e a relação de um pai com o seu filho, o segundo conto, um pouco mais fantasioso, trata da história de um leão poliglota e sua percepção sobre o mundo dos leões.


Cada Isso nos lembra um aquilo - Ernest Hemingway

É uma história muito boa - disse o pai do menino. - Percebe quanto é boa?
-Eu não queria que ela a mandasse para o senhor, pai.
-O que mais você escreveu?
-Só esta. Não queria mesmo que ela a mandasse para o senhor. Mas quando ganhei o prêmio...
-Ela quer que eu ajude você. Mas se você é capaz de escrever tão bem assim, não precisa de ajuda de ninguém. Só precisa escrever. Quanto tempo você levou para escrever este conto?
-Não muito.
-Onde aprendeu sobre essa espécie de gaviota?
-Nas Bahamas, acho.
-Você nunca esteve em Dog Rocks nem em Elbow Key. Não há gaviotas nem andorinhas-do-mar nidificando em Cat Key nem em Bimini. Em Key West so se vêem andorinhas das pequenas.
-Em Killem Peters, claro. Fazem ninhos nos rochedos de coral.
-Nos baixios - disse o pai - Onde será que você viu gaviotas como as do conto?
-Talvez o senhor tenha me falado delas.
-É um belíssimo conto. Lembra-me um que li há muito tempo.
-Parece que tudo nos faz lembrar de alguma outra coisa.

Naquela verão o menino leu livros que o pai pegou para ele na biblioteca, e quando ele ia à casa-grane para almoçar se não estivesse jogando beisebol ou praticando tiro no clube, sempre dizia que estivera escrevendo.
-Mostre-me quando quiser ou me consulte sobre alguma dificuldade - disse o pai - Escreva sobre assuntos que você conheça.
-É o que faço.
-Não quero ficar olhando por trás de você nem respirando na sua nuca. Mas se quiser posso lhe passar alguns problemas sobre assuntos que nós dois conhecemos. Será um bom exercício.
-Acho que estou no caminho certo.
-então não me mostre nada, a menos que queira. Gostou de "Muito Longe e Há Muito Tempo"?
-Gostei muito.
-Os problemas a que me referi são estes: podemos ir juntos ao mercado ou à briga de galos e cada um de nós descreve o que viu. Os flagrantes e cenas que nos marcaram. Como o treinador abrindo o bico do galo e soprando na garganta dele quando o juiz concede uma pausa para eles se recuperarem. Coisas pequenas. Para comparar o que cada um de nós achou interessante.
O menino concordou e baixou os olhos.
-Ou então vamos ao café e jogamos umas mãos de pôquer de dados e você toma nota das conversas que ouviu. Não queira descrever tudo. Só o que achar que tem sentido.
-Acho que ainda não estou preparado para isso, pai. Acho melhor continuar fazendo como fiz no conto.
-Então faça assim. Não quero interferir no seu trabalho nem influenciar você. Eu estava falando era de exercícios. E os que citei não são lá muito bons. Podemos pensar em outros.
-Talvez seja melhor para mim continuar como fiz no conto.
-Claro - disse o pai.

Eu não escrevia bem assim quando tinha a idade dele, pensou o pai. Também não conhecia ninguém que escrevesse. E não conheci ninguém que pudesse atirar como ele quando tinha dez anos; não apenas atirar à toa, mas em competição com adultos e com profissionais. Já era bom atirador de campo aos doze anos. Atirava como se tivesse uma radar embutido. Nunca atirava sem conhecer o alcance da arma, nem deixava que uma ave chegasse muito perto; atirava com estilo e com precisão absoluta no momento certo em faisões em vôo e em patos em movimento.
Em competições de tiro ao pombo vivo, quando ele caminhava pela pista de cimento, rodava a roda e marchava para a placa de metal na faixa preta da metragem, os profissionais ficavam olhando calados. Ele era o único atirador que inspirava silêncio absoluto na assistência. Alguns profissionais sorriam quando ele levantava a arma ao peito e olhava para ver se a soleita da coronha estava bem encaixada. Depois olhava ao longo do cano, a mão esquerda avançada, o peso do corpo caindo no pé esquerdo. A ponta do cano elevava-se e se abaixava, deslocava-se para a esquerda, para a direita e fixava-se no centro. O calcanhar do pé direito erguia-se um pouco quando ele inclinava a cabeça sobre os dois canos da arma.

-Pronto - dizia numa voz baixa e rouca que não parecia voz de criança.
-Pronto - respondia o encarregado das gaiolas.
-Solte - dizia a voz rouca, e a despeito de qual das cinco gaivotas saísse o pombo, e não importa de que ângulo as asas dele batessem, a carga do primeiro cano o acertava. Quando a ave despencava em vôo, a cabeça para baixo, só os grandes atiradores viam o choque da segunda carga entrando no corpo da ave já morta no ar.
O menino travava a arma e voltava pelo cimento para o pavilhão, nenhuma expressão no rosto, os olhos baixos, não dando importância aos aplausos e dizeno "obrigado" na estranha voz rouca se algum profissional dissesse "belo tiro, Stevie".
Punha a arma no cabide e esperava para ver o pai atirar. Depois os dois seguiam juntos para o bar ao ar livre.
-Posso beber uma Coca, pai?
-É melhor beber só metade.
-Sim, senhor. Acho que fui muito lento. Não devia ter deixado a ave subir tanto.
-Era uma ave forte e veloz, Stevie.
-Ninguém teria percebido a falha se eu tivesse sido lento.
-Você se saiu muito bem.
-Vou recuperar a velocidade. Não se preocupe, pai. Este pouquinho de Coca não vai me prejudicar.
O pombo seguinte morreu quando a mola da gaiola jogou-o para cima. Todos viram a carga do segundo cano acertá-lo no ar. Não tinha subido mais de uma metro da gaiola.
Quando o menino entrou, um atirador local disse:
-Você pegou um muito fácil, Stevie. - O menino confirmou e ergueu a arma. Olhou o quadro de marcação. Quatro outros iam atirar antes do pai dele. O menino foi procurar o pai.
-Você recuperou a velocidade - disse o pai.
-Ouvi o barulho da gaiola se abrindo - disse o menino. - Não quero prejudicá-lo, pai. Posso distinguir o barulho de cada uma. Mas o número dois é o dobro do das outras. Precisam engraxá-la. Ninguém percebeu isso.
-Sempre me viro com o barulho da gaiola.
-Mas se for muito alto é à esquerda. Barulho alto é da esquerda.
O pombo sorteado para o pai não foi da gaiola número dois nos três tiros seguintes. Quando lhe coube o número dois ele não ouviu barulho de mola e matou o pombo com o segundo cano com retardo, e o pombo bateu na cerca antes de cair.
-Ah, pai, desculpe - disse o menino. - engraxaram a mola. Eu deviaa ficar calado.
Na noite seguinte ao último grande torneio internacional do qual participaram atirando juntos, eles conversaram, e o menino disse:
-Não entendo com alguém pode errar um pombo.
-Jamais diga isso a ninguém - aconselhou o pai.
-Claro. Mas não entendo mesmo. Não há por que errar um pombo. Aquele em que perdi pontos acertei duas vezes, só que ele caiu morto fora da cerca.
-Foi por isso que você perdeu.
-Isso eu sei. Sei porque perdi. Mas não entendo como pode um atirador errar um pombo.
-Talvez entenda daqui a vinte anos - disse o pai.
-Tudo certo. Mas não deve dizer isso a outras pessoas.

O pai refletia nisso quando refletia sobre o conto escrito pelo menino. Apesar do incrível talento que possuía, o menino não teria sido o atirador que era contra as aves em vôo se não tivesse recebido sugestões e orientações. Ele esquecera todas as instruções recebidas. Esquecera que, quando começou a erras tiros em vôo, o pai tirava dele e mostrava as esquimoses no braço por ter encaixado mal a arma. O pai o corrigia nisso ensinando-o a sempre examinar o ombro para se certificar de que havia encaixado bem a arma antes de mandar soltar o pombo.
Esquecera o princípio de pôr o peso no pé da frente, manter a cabeça baixa e virar. Como saber que o peso esté no pé da frente? Erguendo o calcanhar direito. Cabeça baixa, torção e velocidade. Não se preocupe com o escore. Você deve atirar logo que o pombo sair da gaiola. Não olhe para o pombo inteiro, só para o bico. Acompanhe o bico com a arma. Se não enxergar o bico, calcule onde ele pode estar. Quero que você só se preocupe com a velocidade.
O menino era um excelente atirador nato, mas o pai ensinou-o a ser perfeito, e todo ano o levava para atirar. Com isso o menino aprendeu a ter a concentração na velocidade e passou a matar de seis a oito em dez. Depois passou a nove em dez. Mantenha essa prorpoção, visando ao escore de vinte em vinte. O resto depende da sorte que faz atiradores perfeitos.
Ele não mostrou ao pai o segundo conto. No fim de cada férias a versão final ainda não satisfazia. Disse que só o mostraria se o considerasse pronto. Quando achasse que estava pronto ele o mandaria para o pai. Dizia ter aproveitado bem as férias, estava lendo bons livros, e agradecia ao pai por não exigir muito dele no campo da escrita, porque afinal férias são férias, e aquelas tinham sido das melhores, talvez as melhores, e o tempo que passaram juntos fora maravilhoso.

Sete anos depois o pai encontrou novamente o conto premiado. Estava em um livro que encontrou quando procurava outros no antigo quarto do menino. Logo que o viu, percebeu a origem do conto. Recordou o antigo clima de familiaridade. Foi virando as páinas e reconheceu, inalterado e com o mesmo título, num livro de contos muito bons de um escritor irlandês. O menino o copiara palavra por palavra e utilizara o título original.
Nos últimos cinco do período de sete anos, entre o verão do prêmio e o dia em que o pai encontrou o livro, o menino praticou os atos mais detestáveis e insensatos de que foi capaz, pensou o pai. Mas isso porque ele era doente, justificou o pai. A doença foi a causa da vileza. Até então ele estivera no caminho certo. O desvio começara um ano ou mais após aquele último verão.
Agora ele sabia que o menino nunca fora bom. Chegava sempre a essa conclusão quando rememorava os acontecimentos. E reconheceu com triteza que atirar não significara nada.


O leão bondoso - Ernest Hemingway

Era uma vez um leão que vivia na África com todos os outros leões. Os outro leões eram todos maus leões e todo o dia comiam zebras e animais selvagem e toda a sorte de antílopes. Às vezes os maus leões comiam gente também. Comiam uailis, ungurus e wandorobos e gostavam principalmente de comer mercadores hindus. Todo mercador hindu é muito gordo e delicioso para o leão.
Mas esse leão, de quem gostamos porque era tão bom, tinha asas nas costas. Por ele ter asas nas costas os outros leões todos caçoavam dele.
-Olhem esse aí com as asas nas costas - diziam, e todos rolavam de rir.
-Vejam o que ele come - diziam, porque o bom leão só comia massas e scampi por ser ele tão bom.
Os maus leões rugiam de gargalhadas e comiam outro mercador hindu, e as mulheres dos maus leões bebiam o sangue do mercador hindu, fazendo lap, lap, lap com as línguas, como gatos enormes. Só paravam de rugir, rindo, do bom leão para zombar das asas dele. Eram leões maus e perversos.
Mas o bom leão sentava-se e fechava as asas e perguntava educadamente se podia tomar um Negroni ou um Americano, que sempre bebia em vez de beber sangue de mercadores hindus. um dia ele se recusou a comer oito reses masai e só comeu tagliatelli e bebeu um copo de pomodoro.

Isso deixou os maus leões indignados, e uma leoa que era a mais perversa de todos e nunca conseguia limpar o sangue de mercadores hindus de seus bigodes, nem esfregando a cara no campim, disse: -Quem é você para pensar que é melhor do que nós? De onde você veio, seu leão comedor de massas? E o que está fazendo aqui?- Roncou para ele e todos os outros rugiram sem rir.
-Meu pai mora numa cidade, onde fica debaixo da torre do relógio olhando mil pombos, todos súditos dele. Quando esses pombos voam, fazem um barulho como o de um rio caudaloso. Na cidade de meu pai existem mais palácios do que em toda a África, e quatro grandes cavalos de bronze olhando para ele, e cada um tem um pé erguido porque todos tem medo do meu pai.
-Seu pai era um grifo - disse a leoa perversa lambendo os bigodes.
-Você é mentiroso - disse um dos maus leões - Não existe cidade assim.
-Passe o meu pedaço de mercador hindu - disse outro leão muito mau. - Essa vaca massai está muito fresca.
-Você é um reles mentiroso e filho de grifo - a mais perversa de todas as leoas disse. - Estou com vontade de matar você e comer, com asas e tudo.
Isso assustou demais o bom leão, porque ele viu os olhos amarelos dela e o rabo levantando e descendo e o sangue seco endurecido nos pêlos do bigode e sentiu o hálito dela que era muito fedido porque ela nunca escovava os dentes. E também porque ela tinha pedaços antigos de mercador hindu entre as garras.
-Não me mate - disse o bom leão. - Meu pai é um leão nobre e sempre foi respeitado, e tudo o que eu disse é verdade.
A leoa perversa saltou para pegá-lo. Mas ele subiu para o ar com suas asas e circulou uma vez sobre o grupo de maus leões, que ficaram rugindo e olhando para ele no alto. Ele olhou para baixo e pensou: como são selvagens esses leões.
Circulou mais uma vez sobre eles para fazê-los rugir mais alto. Despois desceu para ver os olhos da leoa perversa, que se ergue sobre as pernas traseiras para ver se o pegava. Mas errou a patada.
-Adios - disse o bol leão, que falava um excelente espanhol por ser um leão culto. - Au Revoir! - gritou para eles em um francês exemplar.
Todos rugiram e roncaram em dialeto leonino africano.
O bom leão subiu em círculos e cada vez mais altos e regulou a rota para Veneza. Pousou em Piazza e todo mundo ficou feliz de vê-lo. Ele deu um vôo curto e beijou o pai nas duas faces e viu que os cavalos ainda estavam com os pés erguidos, e a Basílica estava mais bonita do que uma bolha se sabão. O Campanile no seu lugar e os pombos se recolhendo a seus ninhos para passarem a noite.
-Que tal a África? - perguntou o pai.
-Muito selvagem, pai - respondeu o bom leão.
-Agora temos iluminação noturna - disse o pai.
-Estou vendo -respondeu o bondoso leão como bom filho.
-Incomoda meus olhos um pouco - disse o pai. - Para onde vai agora, filho?
-Para o bar do Harry.
-Dê lembranças minhas a Cipriani e diga a ele que passo lá qualquer dia para saldar minha conta - disse o pai.
-Sim, senhor - disse o bom leão, e voou baixo e depois foi andando com as quatro patas para o bar do Harry.
Nada havia mudado em Cipriani. Todos os seus amigos estavam lá. Mas o bom leão tinha mudado um pouco por ter estado na Áfica.
-Um Negroni, Signor Barone? - perguntou Cipriani.
Mas o bom leão tinha vindo da África, e a Áfica o modificara.
-Tem aí sanduíches de mercador hindu? - perguntou ele a Cipriani.
-Não, mas posso dar um jeito.
-Enquanto providencia, me prepare um martíni bem seco. Com gim Gordon - acrescentou.
-Muito bem - disse Cipriani. - Muito bem mesmo.
O leão correu os olhos pelos rostos de todas as pessoas finas e certificou-se de que estava em casa mas também que tinha viajado, Sentiu-se muito feliz.

"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos"

William Shakespeare

Raymond



Vídeo sobre a mecanização do ser humano em suas funções básicas do viver cotidiano. É o andar, o levantar, o pular, o abrir, o sentar, o deitar, o dançar, aprendidos através da ciência, a ciência do viver em sociedade. Prove esse vídeo da forma que ele não passe simplesmente como um experimento de laboratório, sem fundamento para nossa vida cotidiana, mas assista ao vídeo idealizando como funcionariam esses experimentos de laboratórios na vida prática e cotidiana de cada um de nós.
Esse vídeo nos faz refletir sobre o que nos tornamos e o que queremos para a nossa vida de acordo com o que somos hoje...

06 maio, 2008

PROGRAMA MANOS E MINAS + PROVOCAÇÕES

QUARTA-FEIRA (07/07)
20:30 horas
TV CULTURA - CANAL 2 SP



Na próxima quarta-feira (07/05) às 20:30hs, estréia o programa "Manos e Minas" na Tv Cultura(canal 2 SP), com apresentação do rapper Rappin Hood. Um programa que vem pra firmar de vez o espaço do Hip-Hop, ou melhor da cultura periférica, na tv brasileira, pois é um programa de um mano precursor do Rap Nacional, em uma tv pública, em horaraio nobre, só vitória. O programa também conta com dois quadros de entrevistas: "Interferência" com Ferréz e "Buzão - Circular Periférico", com Alessandro Buzo.


No quadro do escritor e ativista Alessandro Buzo, o bairro de Pirituba é tema do programa de estréia, nessa visita Buzo, que chega de Buzão, mostra alguns lugares e personalidades do bairro. Helião e Sandrão , do grupo RZO, além da Biblioteca e do Sarau Elo da Corrente (satisfação!!!). O programa é semanal e os quadros intercalam em cada semana, ou seja, uma semana é do Buzo e outra do Ferréz. Além do programa gravado em Pirituba, o quadro do Buzo já tem gravado também um programa na Cidade de Deus, com MV Bill e no Parque Bristol, com o pessoal do Maloca Espaço Cultural.





JÁ NA QUINTA
NO MESMO CANAL ...


GOG
TV CULTURA
Dia: 08/05
Horário: 23:30h


GOG NA TV CULTURA

O premiadíssimo Programa "Provocações" da TV Cultura comandado pelo consagrado ator, diretor de teatro e apresentador Antônio Abujamra, que irá ao ar dia 08/05(Quinta Feira) recebe o Rapper GOG , que é considerado por muitos o cantor de rap mais politizado do país. Gravado em março de 2008, a entrevista foi concedida num clima de muita tensão, com perguntas e respostas que com certeza gerarão muita discussão entre o público.

Fonte: Assessoria Só Balanço

01 maio, 2008

Banksy




INDIVIDUALIDADE

Em verdade, individualismo é um outro nome para nosso velho conhecido: o egoísmo. E todos nós, indiscutivelmente, nos vemos cercados de atos individualistas e, em contrapartida, protagonizamos atos igualmente individualistas.
Desde que o mundo é mundo, as idéias e projetos mirabolantes gerados por egos inflados e doentios têm sistematicamente tentado nos empurrar para um lugar chamado caos. Lembram-se de Hitler, de Mao Tse Tung e, mais recentemente, de Bin Laden? Pois é.
Porém, existe uma outra concepção, também baseada no conceito de indivíduo, essencial para o crescimento, para o amadurecimento, para o autoconhecimento e para o auto-aperfeiçoamento: a individualidade. Parece a mesma coisa? Mas não é!
É importante ressaltar que há muita confusão sobre o que é individualidade e sobre o que é individualismo ou egocentrismo. Comportamentos individualistas são, não raras vezes, traduzidos e tidos como individuais - o que denota um grande engano. A individualidade pressupõe independência com consciência nos pensamentos e nas ações, e não prepotência ou violência.
O ser individual não vê as diferenças como uma constante ameaça a ser tolerada, menosprezada ou até mesmo eliminada, mas respeitosamente as considera apenas o que legitimamente são: outras formas e possibilidades de se viver e agir no mundo.
O ser individual procura sempre corrigir a si mesmo, pois sabe que as pequenas mudanças pessoais, quando somadas, fazem uma tremenda diferença.
O monge budista vietnamita Thich Nhat Hanh costuma dizer que: “Paz é o andar. Felicidade é o andar. Ande por você mesmo e andará por todos nós”.
Aquele que opta pelo caminho da individualidade conscientemente sabe o quão importante é poder andar com independência por um Caminho que é para todos, sem distinção...

10 abril, 2008



"Tento entender...

Um pouco mais da alma

Alma que me faz dançar nesta festa

Venho atender...

Ao teu pedido d'água

Águas salgadas de mar

Algas que param na areia

Ondas gigantes crescendo

No mar dos sertões na minha cabeça

A mente em meu caminho

A mente em todo lugar

São tortos os santos, querida...."

letra:Otto

09 abril, 2008

Sonhos ...


Frase de pára-choque de caminhão:
"Ontem eu sonhava, hoje eu nem durmo"