10 março, 2011

A frequência da ausência é uma presença da frequência

Sempre tive medo de cair na monotonia. Credito esse medo as pessoas que me cercaram na infância. Que na minha opinião não passavam de bons conselheiros protetores de minha individualidade e personalidade.
Construi com isso meu mantra de vida. Mudar, sempre. Já repito esse mantra a alguns bons anos. Sempre com sucesso e com a certeza que foi bom. Porém, as coisas tem mudado um pouco e não sinto mais vontade de cantar esse mantra.
Confeso que estou surpreso com essa vontade. Não esperava sentir esse sentimento antes de meus 30 anos. Isso não quer dizer que o sedentarismo de espírito me atingiu. Não, pelo contrário. Faço coisas novas e busco coisas novas. Cursos, exercícios, afazeres, pessoas, idéias. Gosto de acrescentar. Sou do tipo de pessoa que quando vai cozinhar, tende a colocar todos os itens que estão na geladeira em uma mistura que, em geral, chamo de gororoba. Não é minha vontade pelo novo que mudou, Mas o sentimento de sentir necessidade pelo novo. É aí que não mais sinto a ansia pelo novo. E isso é confortável pra caramba.
Sinto a mente aberta. Encaro com mais naturalidade as mudanças. Assassinei a minha ansiedade pela vida. Ainda rouo as unhas em dias de jogos do São Paulo e ainda fico nervoso quando tenho que resolver assuntos importantes. Mas não me forço a encarar coisas porque devo, mas sim porque quero.
Para contextualizar meu sentimento, vou falar um pouco das razões que incentivaram a abertura desse blog.
Quando iniciei esse blog, pensei o mesmo como sendo uma ferramenta multiuso. Primeiramente era uma plataforma coletiva de interação de colegas com idéias semelhantes sobre assuntos diferentes. E assim seguiu por um tempo. Logo no começo, percebi que a idéia era muito mais uma idéia do que uma realidade. Algumas pessoas interagiram, mas não com a velocidade e forma como imaginei. Porém, eu percebi que havia gostado de uma coisa sobre o blog. Algo que eu imaginava antes.
Muito mais que escrever minha opiniões e idéias, eu curti muito escrever no blog. Exercício que me ajudou muitíssimo a melhorar minha forma de articular minhas idéias e escrever meus pensamentos. Assim, o blog foi mudando de objetivo pra mim, e aos poucos deixou de ser uma ferramenta de interação e passou a ser uma ferramenta de diversão. Escrevia idéias e sentimentos facilmente. Dava dicas para amigos (que ainda acompanhavam o blog) e adorava os poucos comentários que apareciam.
Porém, a um tempo atrás, eu cantei o mantra da mudança e o prazer da escrita e da sublime interação foi substituido por outros prazeres distantes desse. E assim fui abandorando o blog. E o fiz por praticamente 2 anos. Com publicações esporádicas e sem condução própria. Ao mesmo tempo em que não sentia vontade de escrever, fui me chateando por ver abandonado o espaço pelo o qual um dia tanto gostei de me expressar.
E hoje foi justamente um desses dias. Acessei o blog e fiquei triste por ver tal abandono latente e me forcei a escrever algo. Apenas o sentimento que me ocorreu no dia de hoje, quando acessei esse "abandonado" espaço. A partir de hoje, vou tentar voltar mais por aqui. Valorizando a transformação contida na continuidade e da frequencia, mas não deixando de considerar a importancia do rompimento e da quebra para a (re)evolução. 

3 comentários:

nihil_est disse...

às vezes.. quando a gente muda, continua o mesmo..
e permanecendo o mesmo mudamos...

tudo muda
nada muda

Humberto Fonseca disse...

salve nêgo!
da hora o texto. a espirutualidade e naturalidade das coisas.
(parece um menino falando)

entendo isso meu caro... "coloquei meus pés no riacho"... mas nun sosseguei naum"

e quanto ao blog, mano, o meu vem se arrastando a tempos assim, devagar vamos vendo a utilidade dessa parafernalha como meio de informação, ante em sp pouco o viam, agora que estou em Santa Catarina ele bem dizer é uma referência no estado pelo mneio artistico que convivi e que se encontra em poucos biomas do mundo!

mas ta massa isso aqui meu rei!

abraÇ!

saudações.

bebeto.

Livia Ly disse...

Leozinho! Ja li os dois ultimos textos e adorei. Sou sua follower agora. Nao abandone o blogger nao!